Thursday, August 20, 2009

Direito ao grito

Minha neura, minha obsessão

 Não é minha. É do mundo

Acho até que não tem solução.

Será que existe?

Justeza é triste

Cada um faz o que (não) quer fazer

Todos participam, sem ver

Do espetáculo.

Quanto mais alto o grito for

Maior a dor

Acham que sou louco

Mas o que sabem sobre ser o outro?

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Wednesday, August 12, 2009

De como espero que não seja…Mas provavelmente é…

Essa é a historia de uma garota que tinha amigos e família: pai, mãe, irmão. Tinha um cachorro e um computador. Tinha um quarto só pra ela com roupas e sapatos. Tinha tudo, e ter era tudo que tinha.
Não era triste porque não sabia ser. Quando olhava no espelho, não gostava. Mergulhava no castanho dos olhos e sentia-se invadida, revelada por inteiro, fim do mistério (se é que o há). Diziam que era bonita, então, deixou-se ser. Daí não brigou mais com o espelho. Olhava só pra o cabelo, e esquecia os olhos. Também não olhou mais os olhos em volta. Achava uma falta de respeito, invasão de privacidade.
Dava-se bem com as pessoas e nunca fizera inimigos. Não sabia brigar muito bem. Na verdade, não era muito habilidosa. Não sabia pintar, ou tocar piano, não era boa em matemática e não sabia jogar bola. Sabia apenas nadar, porque aprendeu ainda criança. Tinha boa memória também, decorou um tanto de palavras em Inglês e então ganhava dinheiro ensinando-as. Quase não discutia com os pais, vez ou outra, mas ela sabia que eles só queriam que ela fosse feliz e, portanto, era. Era, mas só por obrigação. Não via motivo. Seus pais, sim, eram felizes por vê-la feliz. Queria ela também fazê-lo por gosto não por dever.
Amor ela nunca experimentou. Sabia que não era como em filmes. Ouvira um dia de uma colega do colégio: ”Não existe felizes para sempre. O amor dói”. Ela não suportava dor, uma vez bateu o dedinho do pé na quina da mesa e desmaiou. Não tinha interesse em conhecer o amor (tão pouco seus desmaios). Mas teve namorado,alias, trocou de companheiro sete vezes, mas nunca teve filhos. O primeiro namorado tinha orelhas muito grandes. “Nenhuma criança é feliz com esse tamanho de orelha. Esse ai não ta pra pai.” O segundo não queria saber de criança. O terceiro, e ela descobriu tarde demais, não tinha a bola esquerda. O quarto já tinha filho, o quinto era mulher, o sexto era virtual e o sétimo a traiu com o leiteiro. Decidiu enfim que se ninguém poderia lhe dar um filho, ela não precisava namorar ninguém.
Um dia colado num poste do centro da cidade, viu um anuncio “CONHEÇA A ASSEMBLÉIA CRISTÃ. PLENA PAZ NO CORAÇÃO DAQUELES QUE CREEM”. Sentindo-se convidada à felicidade pelo homem bem vestido do anuncio, foi. Chegando lá, arrumaram-lhe um encosto. Encosto ela sabia, era um espírito que seguia pessoas. Não era boa coisa, não trazia paz porcaria nenhuma. Ficou brava e vendeu-o no EBAY.
Gostava de sair a noite, vestia as melhores roupas e encontrava os amigos(Aquelas pessoas que te levam pra festas e pedem dinheiro emprestado).Sentia-se como em um comercial de bebida: todos bem vestidos e rindo como se não houvesse amanhã.Se felicidade fosse uma imagem, seria essa. Um comercial de bebida. Como se aquele liquido azul fosse uma poção mágica. Um dia, em uma festa, tomou tanto da poção azul que acordou no hospital. Sem memória com dor de cabeça. Nenhum amigo no quarto, só seus pais. E não pareciam felizes.
Descobriu então, que nunca seria boa alcoólatra (religiosa, ou mãe) nem boa pessoa talvez fosse. E felicidade não era coisa pra ela. Deveria apenas fazer o que fazia melhor, ser o que era. Matéria orgânica, que respira, come, fala e anda. Que não bebe, não reproduz e não crê. Que não tem respostas. Tem apenas vida. Mas não sabe o que fazer com ela.

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Thursday, June 25, 2009

Meu ódio, minha inspiração.

O telefone, ainda fora do gancho, era a prova. Eu não queria, mas foram eles que pediram. Só há mesmo uma forma de resolver as coisas nessa cidade: agindo. Rangia os dentes e dava socos na parede, estava à beira de um ataque de nervos. Talvez Kátia estivesse certa, tanto stress vai acabar me matando. Mas antes, mato um deles. Abro o guarda-roupa e visto escuro o que encontrar. Tenho um encontro. Preciso estar vestido, não importa. Não me levariam a sério se saísse de pijama. Será que Kátia vai estar lá? Será que devo poupá-la? Ela estava apenas fazendo o trabalho dela. Mas desligou na minha cara. Vagabunda. Levo comigo a única coisa eu encontro no caminho: O taco de baseball do meu irmão. O elevador do prédio esta em manutenção, outra vez. Isso me deixa ainda mais puta da vida… Com o taco, dou 3 pancadas no chão quebrando o piso do hall, desço 5 andares de escada, mas o extintor de incêndio do quarto andar desce na frente, rolando os degraus, parando nas curvas, recomeçando depois de outra tacada.Uma barulheira metálica.Hahaha,delícia! Aquele telefonema me deixou ligada, irritada. Meu ódio, minha inspiração.

Três ruas pra baixo de onde eu moro, entro no prédio da companhia. O prédio está lotado de gente. Todos parecem nervosos, uns conversam muito alto enquanto um bebe chora no colo da mãe.  Toda essa agitação me deixa zonza, mas desvio da gentarada chegando a frente da sala:

- pois não? Você pegou senha?- Sou abordado por moça sentada atrás do balcão da recepção. Parece simpática

- você é a Kátia?

- Kátia?Não, é… Acho que você está no lugar errado. –Simpática o caralho! Enfureço-me ainda mais.

- Não se faça de idiota! Cadê o responsável por essa merda toda?  - Enfim, silencio na sala. Todos parecem nervosos, ainda. A recepcionista aponta para uma porta à esquerda:

- no  fi-final do corredor.- Responde, agora escondida em baixo do balcão.Essa informação foi fácil de conseguir, provavelmente levantar o taco com as duas mãos ameaçando estourar os miolos dela ajudou.  Chego enfim a sala no fim do corredor. A porta fechada cai de uma só vez para o lado de dentro em baixo do meu pé esquerdo. Esse tipo de coisa me deixa cansada. Um sujeito gordinho e com pouco cabelo afundado em uma cadeira de couro braço me fita de cima a baixo. Ele parece tranqüilo:

- Você deve ser Lake Annabelle. Sabia que nos encontraríamos. Recebi seus e-mails. Você é bem forte para uma moça.

-Falei com tal de Kátia no telefone. A filha da puta desligou na minha cara! – Ao contrario dele, estou ofegante e com sangue nos olhos.

- Kátia…? Ahn… Tem certeza que a ligação não caiu? – Caiu a ligação. Esse babaca quer me passar a perna. Aposto como ele diz isso pra todas.

- Olha aqui, ô gordinho ridículo, ou você manda alguém ainda hoje ou esse taco de baseball vai atravessar os seus ouvidos, entendeu?

- Mas querida, tende entender…  - Não gosto que me chamem de querida. Uma tacada e o porta retrato com a foto de uma menina loira tomando sorvete, cai ao chão e o vidro se quebra. Ele fecha os olhos, virando a cara, respira fundo e continua – Mas não temos ninguém disponível hoje. Só para o dia 15 de julho. – Outra tacada, a impressora cai e se desfaz em três.

- A próxima coisa que vou quebrar vai ser sua cabeça, palhaço! Estou esperando há um mês!! É melhor você resolver agora. Não estou brincando, eu posso até ir presa por isso, mas você vai daqui pro inferno! – Ameaço – o com o taco, mas ele não reage. Continua calmo:

- Façamos o seguinte, Anabelle. Por favor, sente-se. Mandaremos o técnico amanhã de manhã…

- hoje!

- Amanhã de manhã. E mudamos seu plano do… Qual você tem hoje? Compacto? Do compacto para o total plus. Que tal? Sem aumento nas parcelas por um ano. – Odeio esse tipo de gente que tenta me comprar com TV a cabo. Nunca me venderia por tão pouco.

- EU DISSE QUE QUERO HOJEE!!!!!!!!!!   

 E então, para quem pensou que eu estava blefando, o taco de baseball atravessou sim seus ouvidos. Voltei pra casa nesse dia, me sentindo melhor. Nunca ninguém da Companhia me procurou. Apenas cortaram meu cabo, mas tudo bem. Cortaram também meus problemas.

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Tuesday, June 23, 2009

Sacramenta

Os bares e restaurantes estão fechando, e os poucos que ainda freqüentam esse lado da cidade, já estão de volta para casa. Não se vê mais ninguém, se não um grupo de sem tetos: eles cantam alto e dançam em volta de uma senhora muito velha enquanto dividem o conteúdo de uma garrafa plástica. A senhora veste uma saia comprida e colorida e dança junto aos rapazes. Apenas um homem de barba comprida e branca está sentado, encostado numa coluna fria de concreto, tocando um violão de três cordas.

Por de baixo de um viaduto, duas silhuetas, criadas pela luz amarela dos postes, se aproximam. Um casal circula pelas ruas escuras do centro. A garota toma a frente, e puxa o rapaz pelo braço. Passam pelo grupo ignorando a musica e a dança indo direto para o ponto de taxi. Um carro amarelo se aproxima. O rapaz tenta convencer a namorada a voltar, mas ela resiste e eles entram. A noite está quente, mas ela veste um casaco preto e brilhante amarrado na cintura fina, o primeiro botão aberto, exibe um belo decote. As pernas, escondidas dentro do tecido sintético da meia fio 40, equilibram-se em um par de sapatos dourados, a mesma cor de seus cabelos, longos e lisos. O rapaz, vestido formalmente, tem o cabelo penteado com gel.Ele afrouxa a gravata e suspira nervoso:

- Boa noite.

 -Boa noite. – Respondo o taxista. – E vão pra onde? – A moça faz sinal com a cabeça para o namorado, pedindo que responda.

- é…. Sabe…o…Mo- motel Volúpia ?– Ele responde com timidez. – Fica na Antonio Pinheiro Galvão. – A moça sorri e segura a mão do namorado, contente.

- Sei, na Sacramenta.

Surpreso, o rapaz então se vira para a namorada e esboça um sorriso. Volta para o motorista e com ar de ironia diz:

- haha, então… O senhor sabe?

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Tuesday, June 2, 2009

Do you know what it feels like to teach someone?

Posters made by my students after reading Beauty and the Beast
or A feia e a Besta, as they call it.


“Paris Hilton,Beauty, given a rose by a very charming lion”
 By Victoria Trevelin, Isabella Dib and Maria Eduarda.

“Queen Elizabeth, the mean Beauty, playing in the garden.”
By Antônio and Guilherme Fusari


Grammar focus: Verb  BE

“Polticians are beast”
By Lucas Mian

The terminator, a new beast”
By Beatriz Almeida and Gabriel Motta

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Monday, June 1, 2009

Fundo dos castanhos
mergulhei
E me assustei

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Sunday, May 24, 2009

Geni the cat and the old bathroom

Abri a porta, sentei e então examinei o local… Um banheiro branco e sujo, o box deve ter a largura de duas caixas de sapatos. Estava em um prédio bastante velho.
O apartamento no sexto andar servia há alguns meses como moradia para um grupo de universitários e seu bichinho de estimação, a gata Geni. Acabei ali por acaso… O amigo de um amigo morava ali e a gente precisava de um lugar para cair depois da bebedeira. Eu não sei o nome da rua em que estava, era uma travessa da Augusta e tinha nome de mulher. 
Sentada no vaso sujo, termino de mijar as ultimas garrafas de cerveja do dia.Depois da meia noite só beberíamos destilados.Fixei meus olhos na parede branca de azulejo e percorri toda sua extensão ate encontrar o  vitrô,quadrado e enferrujado, de canto.Imaginei quantas transas estas paredes haviam suportado.Respirave-se AIDS naquele banheiro. Meus olhos descem ao chão.Quantos bêbados já engatinharam por ali?Encontrei, quase por pisar nela, a caixa de areia do gato. Contaram-me que antes o gato cagava na água, mas a Mari(seria mesmo Mari, seu nome?) decidiu que o gato ia cagar na areia.E como a ela é a única leonina da casa, todos,inclusive o gato, tiveram que se acostumar com a idéia (e o cheiro).

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Saturday, May 23, 2009

De como eu quero que seja…

Eu e você;
A janela aberta, uma sacada.Da cozinha você me vê na sala.
Cama desarrumada,o sol clareando o chão.Café pra acordar.
Eu te pedindo pra cantar.você sorrindo despreucupado,
achando engraçado meu cabelo desarrumado.
Nenhum destino, nenhum compromisso,nenhum encargo.
Livres nós dois, do ontem e do amanhã.
Livres.
-

Esse texto já havia sido publicado em outro blog mas apaguei.O titulo do poema vinha dentro do post e o titulo do post era “The first (and maybe only) good text i’ve ever written.And it was 2 years ago.” Não cabe mais, achei LOVESTRUCK melhor do que esse. Mas foi o primeiro e unico texto apaixonado de verdade. Há 3 anos.

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Friday, May 22, 2009

Querida Cinderela

Tarefas para hoje a noite:

Limpe a chaminé, encere o piso,
bata os tapetes, tire o pó de tudo isso,
retire o lixo,limpe a lareira 
arrume a casa, lustre a prataria,
lave todas as roupas da lavanderia,
Vá ao jardim e regue os  girassóis
faça as camas, mas troque os lençóis
Há meias para costurar
e camisas para engomar
prepare o jantar
A louça deve ser:
 lavada
secada
 guardada
Não espere acordada
Não temos hora para chegar

Ass:Irmãs Feiúra

Tradução: Barbara Murakawa e Camilla Zoccal

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Thursday, May 21, 2009

La solitude

Foi difícil não sentir o que se tenta afastar num dia como esse: a tal da cruel saudade. Palavra impar, que dizem só existir em português, chegou sem pedir licença. Entrou, puxou a cadeira e, saboreando um café amargo com Malboro ligths, pôs-se a me incomodar.”

 

Vi, portanto, que solidão e saudade são almas gêmeas. Velhas conhecidas de outrora, promovem incômodos e aleatórios encontros, onde tentam desafiar o sorriso e a alegria, banindo-os para longe algumas vezes.”

Texto: Domingo de chuva de Alexandre Drayton

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